19/08/26
Pesquisadores do Instituto PROSHARK e colaboradores realizaram o primeiro registro de seis fêmeas de tubarão grávidas no complexo estuarino Ilha Grande–Sepetiba, no Rio de Janeiro. Os indivíduos, das espécies Carcharhinus brevipinna (tubarão-rotador), Carcharhinus limbatus (tubarão-galha-preta) e Carcharias taurus (tubarão-mangona), foram localizados entre os anos de 2024 e 2026 estavam em fases diferentes da gestação.
As descobertas, publicadas na revista científica Brazilian Journal of Biology na sexta (14), sinalizam que a região funciona como uma espécie de berçário para espécies ameaçadas de extinção, e não apenas uma área de passagem. Ali, fêmeas e filhotes podem encontrar abrigo e alimentos.
A pesquisa foi estruturada a partir de registros de capturas incidentais durante atividades de pesca na região e de monitoramentos científicos. Parte dos animais foi acompanhada com telemetria satelital, técnica que utiliza transmissores implementados ao tubarão para registrar e rastrear seus deslocamentos. Os pesquisadores também realizaram a medição, marcação e posterior soltura dos animais.
Para a análise dos dados, os espécimes passaram por necropsias realizadas pelos pesquisadores do Instituto PROSHARK em parceria com o Laboratório de Chondrichthyes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde foram avaliados o número de embriões, o conteúdo vitelino e os estágios de desenvolvimento embrionário. Essa abordagem permitiu aos pesquisadores documentar variações na dinâmica reprodutiva e confirmar que a região serve como um ponto estratégico para diferentes fases do ciclo de vida desses animais.
Os resultados do artigo fazem parte das pesquisas realizadas no Programa de Monitoramento Integrado de Tubarões e Raias do Instituto PROSHARK, que busca compreender o uso da costa fluminense por essas espécies ao longo de anos de estudo. “Mais do que registrar fêmeas grávidas de três espécies diferentes de tubarões, este estudo mostra que elas utilizam a região em diferentes fases da gestação, reforçando que o complexo Ilha Grande-Sepetiba pode desempenhar um papel fundamental ao longo de todo o ciclo reprodutivo desses animais”, explica a bióloga e presidente do Instituto PROSHARK, Dra. Fernanda Lana, autora responsável pelo estudo.
O artigo considera o complexo estuarino no litoral sul fluminense um hotspot reprodutivo devido ao seu mosaico de habitats, que inclui manguezais, enseadas protegidas e costões rochosos, oferecendo refúgio e alta disponibilidade de alimento. Essas condições são ideais para fêmeas em gestação e para a sobrevivência dos filhotes, que encontram proteção contra predadores em águas mais rasas. “O complexo Ilha Grande-Sepetiba reúne uma combinação rara de características ambientais que o tornam extremamente favorável para diversas espécies marinhas, sendo considerado um grande Santuário da Biodiversidade Marinha no Brasil”, destaca Fernanda Lana.
Os resultados do artigo fornecem uma base científica sólida para orientar políticas públicas – e já contribuíram para o reconhecimento da Enseada de Piraquara de Fora, localizada no complexo estuarino, como uma Área Importante para Tubarões e Raias (ISRA) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que identifica locais prioritários para proteção de espécies. A expectativa do Instituto PROSHARK é de que o estudo impulsione as pesquisas com o uso de drones e telemetria satelital e acústica que o Instituto já vem desenvolvendo por meio do seu Programa de Monitoramento para identificar áreas de berçário primário e rotas migratórias, fortalecendo a gestão ambiental e a proteção de espécies ameaçadas de extinção no Atlântico Sudoeste.
Fonte: Agência Bori
|
ELEIÇÕES - CRBio-08 e CRBio-09 |